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OPINIÃO: O Museu de Caçapava do Sul, Lanceiros do Sul, arde em chamas silenciosas

Rafael Teixeira Chaves, Museólogo, Mestrando em Museologia e Patrimônio pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Graduando em Conservação e Restauro pela Universidade Federal de Pelotas.

Sou Rafael Chaves, Museólogo, caçapavano, venho desde 2013 lutando pelo Museu Lanceiros do Sul, e cada dia coisas absurdas acontecem e ninguém comenta!

Vejo o acervo retirado do Museu para criar um museu novo, acervo que ficou por muito tempo isolado dentro de uma vitrine e que, posteriormente, sai desta proteção e vai parar no Clube União… Vejo uma fantasia de carnaval vestida em um manequim, se transformando em pedaços…

Como último acontecimento no caminho da morte lenta do Museu, acompanho a presença de um ringue de artes marciais montado dentro da instituição, junto ao acervo histórico e arqueológico da Revolução Farroupilha. Um chute, um esbarro, um empurrão em uma das vitrines nas quais estão os artefatos e teremos danos irreparáveis ao acervo e a nossa história. Qualquer intervenção a um acervo impõe sempre uma mudança física e emocional a todo tipo de acervo.

Quando você vai ao médico, consulta com um arquiteto? Quando você vai ao arquiteto, quem assina o projeto é um médico? Não. Então, por que no Museu Lanceiros do Sul não tem Museólogo?

E mesmo que hoje não exista um Museólogo, o fato de pessoas inabilitadas estarem à frente da instituição não justifica a colocação de um ringue dentro do Museu. Modernizar e popularizar o espaço não requer a presença de atividades nocivas aos elementos que são parte importante da história da cidade. A modernidade tem outra essência, não a de destruir o acervo em chamas silenciosas. De 2013 até agora pouca coisa mudou no Museu, os problemas foram mascarados, as chamas estão sempre abafadas… Mas, às vezes, as faíscas ainda aparecem.

Vamos esperar até quando para que as chamas consumam nossas memórias, nossas histórias? Boa parte da identidade dos caçapavanos está nesse Museu. Onde estão os profissionais que zelam por esta história? Onde está o Museólogo? O descaso com o patrimônio vai até quando? Nosso patrimônio está em chamas, nossa Casa dos Ministérios, Nosso Clube Recreativo, nossa Cascata do Salso. Até quando preciso solicitar a existência de um setor de preservação do patrimônio histórico e cultural de Caçapava do Sul? Até quando teremos força para lutar contra o fogo?

O Museu é um local de memória, devemos preservá-lo para conhecer a nós mesmos. Ficaremos parados esperando mais uma tragédia museológica anunciada?

 

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