ColunistasPolíticaRegiãoRural

Mariana, Brumadinho e a hipocrisia ambientalista

Tarso Francisco Pires Teixeira - Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel - Vice Presidente da Farsul

                Pouco mais de três anos depois do rompimento da barragem da Samarco no município de Mariana, outra vez a lama leva de roldão centenas de vidas de uma cidade do interior.  Enquanto as correntes de sempre se digladiam para definir se o que ocorreu foi um desastre ou crime ambiental, a mídia finge ignorar que se trata, antes de tudo, de homicídios em massa. Negligência, omissão e descasos tipicamente brasileiros, se juntam para formar uma tragédia humana absolutamente irreparável. Porque se o meio ambiente se regenera, ainda que leve gerações, as vidas humanas perdidas não serão recuperadas.

            Esta nova tragédia é uma calamitosa combinação de inoperância do setor público, leniência e incompetência do setor privado, impunidade pela Justiça e hipocrisia dos movimentos ditos ambientais. A barragem que rompeu em Brumadinho, assim como a que rebentou em Mariana, pertencem ao Grupo Vale, privatizado no governo FHC. No entanto, o Poder Público também é sócio da tragédia. mais de 49% da Vale ainda pertence ao governo, que participa da gestão através de ações da ValePar, fundos de pensão e outros.

Além disso, nestes doze anos em que o governo é do PT, onde estava a fiscalização? O ex-governador Fernando Pimentel, do PT, não somente ignorou alertas a respeito da área como rebaixou a classificação de risco da barragem que rompeu e concedeu licença à empresa para ampliação de operações na região. A mesma empresa que havia sido responsável pela tragédia de Mariana em 2015.

Eu recordo muito bem as lutas travadas durante as discussões em torno do Código Ambiental, votado em 2011. Em todos os momentos, a pressão das ONGs ambientalistas sempre foi no sentido de restringir a atividade do produtor rural, jamais das mineradoras. Qual das atividades, afinal, trazia mais risco ambiental? Artistas como Wagner Moura, Rodrigo Santoro e Gisele Budchen, que recentemente andou travando uma polêmica com a ministra da Agricultura, gravaram vídeos dizendo que a produção rural brasileira iria destruir os recursos naturais. Onde estão eles agora? Por que tanto empenho contra produtores rurais e nenhum contra poderosas mineradoras? Será porque produtores rurais não patrocinam espetáculos culturais pela Lei Rouanet? Ou porque a Vale é uma das principais patrocinadoras de seus filmes e outros projetos? Até hoje o maior empenho das ONGs é contra o agronegócio, que não soterrou ninguém na lama. Sabe disso todo produtor que já precisou cortar uma árvore ou construir um açude.

A lama soterrou vidas que não voltam mais. E outras tantas tragédias ainda virão, enquanto estivermos mergulhados no lamaçal de ignorância que sufoca o país.

Luís Carlos Machado

Jornalista MTE 18.013/RS Graduado em Marketing

Deixe uma resposta

Fechar

Adblock Detectado

Considere nos apoiar desabilitando o bloqueador de anúncios