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As Eleições Presidenciais e o Agronegócio

Estando já no terceiro mês de 2018, com o calendário eleitoral se aproximando a passos largos, os produtores rurais e lideranças do setor público e privado que interagem com o agronegócio já podem avaliar alguns discursos com um pouco mais de precisão. Mesmo porque, intencionalmente, os pré-candidatos começam a deixar, em declarações aqui ou ali, pistas de suas intenções e projetos, pra poder se destacar numa eleição que já tem, até aqui, 25 pré-candidatos. Ao menos, esse movimento permite avaliar algumas posições.

Isso é fundamental para colocar o debate nos eixos. Nas eleições de 2014, o país perdeu a oportunidade de debater situações reais como o drama da previdência, as más escolhas da política econômica e o câncer da corrupção que se alimenta do gigantismo estatal, porque a campanha do primeiro e segundo turnos ficou centrada em questões como a do aborto – que apesar de ser relevante moralmente para um conjunto significativo da sociedade, não sofreu, como se viu, alterações legais, salvo por tentativas do Judiciário.  Neste ano, situações como a intervenção federal no Rio de Janeiro e as declarações de candidatos bem postados nas pesquisas apontam que esta pode ser a eleição da Segurança. Se a discussão se resumir à posse de armas e à ação das polícias, perderemos uma grande oportunidade de discutir os temas macro-econômicos, que mais tarde será a prioridade do governo, seja de que partido for. E quando o candidato centra seu governo em temas que não foram pautados na campanha, é natural que o eleitor se sinta enganado e desencantado com a política.

Pra que isso não aconteça no âmbito do agronegócio, é preciso que o setor analise o cenário a partir de suas perspectivas, e não da agenda imposta pelo marketing político ou pela mídia. Aos candidatos que afirmam ter “afinidade histórica” com o agronegócio, seria útil perguntar sobre questões como as assimetrias do Mercosul, por exemplo. Qual a posição sobre o projeto que pretende impor ao arroz importado os mesmos padrões fitossanitários exigidos do produto brasileiro? Há candidatos que tem vínculos conhecidos com os barões das indústrias de São Paulo, que há muito silenciam essa discussão provocada pelos estados agroexportadores, para não prejudicar um pacto silencioso muito antigo, em que argentinos, uruguaios e paraguaios nos vendem os produtos agrícolas, e o Brasil (ou seja, São Paulo) vende automóveis e produtos da linha branca. No meio disso, fica o produtor gaúcho, matogrossense ou paranaense, “esguelado” com a concorrência desleal.

Há também a agenda radical ambientalista prejudicando a imagem do produtor brasileiro lá fora, como na ação judicial irresponsável que quis inviabilizar exportação de gado vivo para a Turquia e outros países, fazendo o jogo da indústria do setor e de nossos competidores internacionais. Como vão se posicionar sobre esta questão, candidaturas com vínculos estreitos e conhecidos com estes grupos radicais?

A crescente judicialização de temas importantes como o Funrural e o próprio Código Ambiental, que pode ser totalmente invalidado pelo STF, requerem ao menos uma posição pública dos que pretendem nos governar. É justo que o produtor brasileiro saiba o que o candidato pensa, sobre bi-tributação, diminuição do Estado, e a definição de um projeto verdadeiramente nacional para o setor produtivo.

Por fim, não convém esquecer: mais importante que a eleição de um só homem ou mulher no Executivo por quatro anos, é a escolha de deputados federais e senadores efetivamente comprometidos, que não pensem apenas nas pautas de suas regiões, mas saibam se comprometer com o país por inteiro.

Tarso Francisco Pires Teixeira

Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel

Vice Presidente da Farsul

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