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Afinal, quem são os nossos heróis?

Por Diogo Taborda - Promotor de Justiça

A última quarta-feira amanheceu sombria no Rio Grande do Sul. E não foi só por causa do clima de frio e chuva. Infelizmente, a sociedade perdeu, em combate, mais um jovem soldado.
O inspetor da Polícia Civil, Leandro de Oliveira Lopes, de apenas 30 anos, foi morto com um disparo de arma de fogo enquanto cumpria, junto de seus colegas policiais, um mandado de prisão e de busca e apreensão, algo que é rotineiro na atividade policial.
O crime foi cometido em São Sebastião do Caí e ocorreu antes mesmo de a polícia efetivar a prisão dos delinquentes, visto que, ao perceber a aproximação dos agentes da lei, por volta das 06 horas da manhã, os bandidos começaram a atirar contra aqueles que apenas estavam ali para cumprir o seu dever de combater o tráfico de drogas naquela cidade.
Esse fato, sem dúvida alguma, é extremamente lamentável, porquanto o policial morto, que tinha a vida inteira pela frente, foi baleado pelo simples fato de estar trabalhando e protegendo a sociedade.
Todavia, a despeito de o fato ter sido divulgado pela mídia, infelizmente acabou não gerando na sociedade o mesmo sentimento de consternação que outros, o que nos leva a nos questionarmos: afinal, quem são os nossos heróis?
As crianças, principalmente os meninos, sonham em ser super-heróis, como aqueles dos quadrinhos. Sonham em salvar as pessoas dos apuros. E quem está em apuros, sonha em ser salvo por um super-herói.
Ocorre que, na vida real, não existem super-heróis na forma como há nos quadrinhos e nos filmes, dotados de superpoderes; contudo, isso não quer dizer que não existam heróis.
Para entender isso, basta se colocar na pele da pessoa assaltada ou que teve a sua casa arrombada para se ter a noção de que o que mais o ofendido deseja nesse momento é ser atendido por uma viatura composta por diversos policiais, de preferência armados, e que o bandido seja preso rápido e não saia tão cedo do cárcere.
Discursos hipócritas, que visam ao desencarceramento de criminosos e depreciação da atividade policial, só servem para fomentar a criminalidade que sangra a sociedade brasileira. E vale lembrar que, quando essa pessoa do discurso hipócrita for vítima de um crime (e todos um dia o são, nem que seja do mais singelo furto), pode-se ter certeza que, ao menos no seu caso, irá desejar a ação efetiva e célere da polícia.
Desse modo, urge a necessidade de que se passe a valorizar a atividade policial, tanto com o aumento da remuneração dos seus integrantes, melhoria e modernização da estrutura e das condições de trabalho, quanto no tratamento que é atribuído pela mídia, que deve deixar de enxergar no policial uma ameaça à sociedade, mas sim passar a qualificá-lo como um verdadeiro herói, pois será ele que irá impedir e reprimir o crime, em defesa da vítima e das pessoas de bem.
Ficam aqui as condolências à família do policial morto em combate, bem como a toda a instituição da Polícia Civil, afetada pelo ocorrido, oportunidade em que manifesto esperança num futuro em que os policiais sejam valorizados como merecem.

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