A ELEIÇÃO DE UM NOVO CICLO
A ELEIÇÃO DE UM NOVO CICLO

Há apenas seis semanas de 2018, com os processos de impeachment de Michel Temer totalmente sepultados, a reforma trabalhista em pleno vigor e a recuperação da economia, os olhos e ouvidos da mídia e dos segmentos da sociedade civil começam a se voltar de forma mais atenta para as eleições presidenciais. E esta próxima eleição, a julgar por todos os seus desdobramentos, tem tudo para apontar um novo ciclo – não necessariamente virtuoso – na política brasileira, a julgar pelo evidente esgotamento do atual ciclo político e a gigantesca quantidade de pré-candidatos, apontando para uma repetição de 1989, início do atual ciclo democrático, quando 22 nomes disputaram os corações e mentes do brasileiro. 

Levando-se em consideração somente os partidos – e o fato de que alguns deles tem várias opções para a disputa – chega-se à impressionante lista de 20 pré-candidaturas possíveis no cenário atual. Desde os nomes mais influentes como Lula ou Fernando Haddad pelo PT, Geraldo Alckmin ou João Dória pelo PSDB, Jair Bolsonaro pelo seu novo Patriotas, e os já veteranos Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT). Nomes possíveis rondam o noticiário, como o ministro da Fazenda Henrique Meirelles (PSD) ou o presidente do BNDES Paulo Rabello (PSC), como uma aposta dos mercados; o PSB sonda dois ex-ministros do STF, Joaquim Barbosa ou Ayres Britto; Álvaro Dias vem pelo centrista Podemos, e os liberais do partido Novo podem apresentar o seu presidente Jorge Amoêdo ou o dono do grupo Riachuelo, Flávio Rocha; a ultra-esquerda se divide com o anúncio das gaúchas Manuela D’Ávila (PC do B) e Luciana Genro (PSOL), e Eduardo Jorge (PV), além dos nanicos Zé Maria (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO) e Mauro Iasi (PCB), aquele que falou em assassinato de todos os conservadores numa palestra numa universidade, e que continua solto. As figurinhas carimbadas de Levy Fidélix (PRTB) e José Maria Eymael (PSDC) são presenças certas, e no meio disso tudo tem espaço também para o folclore: O apresentador Luciano Huck conversa abertamente com o PPS, a ex-apresentadora do Fantástico Valéria Monteiro anuncia que está em busca de um partido, e o direitista Prona apresenta o cirurgião-celebridade Robert Rey. Ainda sem partido, o jurista Modesto Carvalhosa também se apresenta, com o apoio do também jurista Hélio Bicudo, na esteira da luta pela moralidade pública.
Um número tão grande de candidatos, com propostas semelhantes e outros sem um conteúdo visível, é uma evidência plena da falta de rumos da política pós-Lava Jato. Os partidos tradicionais, quase todos pegos com a boca na butija, tentam manter o sistema que lhes dá a primazia eleitoral, enquanto outros nomes sem estrutura partidária ganham voz através das redes sociais, apresentando tão somente uma vaga noção de uma “nova política”, e a ingênua idéia de que basta ser honesto para resolver os problemas do país. 
Não há dúvida que estamos diante de um novo ciclo, onde o espaço para o esgarçamento das garantias democráticas e o surgimento de aventureiros, é, infelizmente, muito grande. O setor produtivo precisa, com muita clareza, cobrar dos nomes que surgem um juízo de valor sobre as soluções efetivas para um país que caminha para um endividamento superior a 80% do PIB, 23 dos 27 estados da federação sem liquidez e uma paralisia dos investimentos. 
O debate precisa ser sobre o projeto de Nação que queremos para 2018. Se mais uma vez tivermos uma escolha empobrecida sobre nomes e biografias, estaremos jogando no lixo o futuro dos próximos quatro anos.

Tarso Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel e Vice Presidente da Farsul
 
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