A penúria no setor público

 

Ainda não caiu a ficha para o povo brasileiro de que o setor público está completamente falido no Brasil, o modelo de administração pública, da forma como foi concebido e implantado no Brasil a partir de 1930, entrou em absoluto e definitivo colapso nos últimos anos.  Nada escapou dessa gestão falaciosa e politiqueira implantada nas últimas décadas, gerando um rombo nas contas públicas sem precedentes e de difícil solução e os resultados estão batendo a porta não apenas do funcionalismo que está recebendo parcelado ou sem aumento real de salários, mas também na porta de hospitais, segurança, universidades entre outros serviços de extrema importância que estão sucateados. Hoje os serviços públicos estão falidos no que diz respeito ao retorno social que deveriam prestar: a escola pública faliu; a saúde pública regrediu a padrões incompatíveis com o mundo chamado civilizado, enquanto que os centros de excelência de ensino, pesquisa, ciência e tecnologia, que sobreviveram e se consolidaram a duras penas no setor público, foram progressivamente dizimados pela absoluta inanição a que foram submetidos. A corrupção se instalou com total desenvoltura e atingiu níveis absurdos nas atividades regulatórias, concedentes e policiais do Estado. A chamada crise fiscal que é o confronto das receitas x despesas continua a se ampliar graças a inanição e inoperância dos gestores públicos e dos políticos que deveriam dar sustentação a criação um novo modelo de administração da coisa pública que considere a realidade e não a ficção, que leve em conta as reforma que precisam ser realizadas sob pena de entrarmos num colapso de amplitudes inimagináveis. As reformas precisam ser colocadas em prática, previdência, tributária, trabalhista em especial as disparidades entre trabalhador do setor público e da iniciativa privada. Vejo a situação como as velhas disputas da corda, dois grupos puxam para lados opostos e quem derrubar o outro vence, oposição e situação são esses grupos e no meio de tudo isso tem outros dois grupos: funcionalismo e população que também puxam para lados opostos, enquanto isso todos perdem já que não sentam a mesma mesa para discutir um problema que é de todos, ou seja: buscar uma solução que não apena privilegie um grupo e sim o povo e o país. A ação individualista ou corporativista no sentido de acreditar que tudo possa ser resolvido num passe de mágica é ignorar completamente a situação e mais do que isso: é acreditar em milagres sem nada fazer para que esses aconteçam. Se quisermos um País melhor é preciso mudanças radicais.  

Eraldo Vasconcelos
Economista
 
© CaçapavaOnline.net 2014 - Todos os direitos reservados.